3.8.07

Fantásticas salas do conhecimento

Biblioteca da Universidade de Coimbra (1290), Portugal
Outras Salas

9.7.07

Volta por cima


Em 1986, Israel de França, músico, foi preso pela Polícia Militar em Olinda, Pernambuco, carregando um violino. Negro, pobre, Israel só conseguiu provar ao delegado que não era ladrão ao interpretar trecho da cantata “Jesus, alegria dos homens”, de Johann Sebastian Bach. O episódio virou Caso especial na TV Globo. Após sua aparição na televisão, o jovem músico participou de curso de férias em Brasília e acabou estudando no Conservatório de Música de Lisboa. Israel vive há 15 anos na Espanha, onde faz parte da Orquestra da Cidade de Granada e é diretor e proprietário do Conservatório Villa-Lobos na cidade. Em dezembro de 2005, Israel de França volta ao Brasil e, numa cerimônia discreta, doa quinze violinos e uma viola ao Conservatório de Música de Yapoatan, na cidade pernambucana de Jaboatão dos Guararapes.

Fonte: Reporte JC.

Imagem: jamillan.com/violin

2.7.07

"Se foi pra desfazer, porque é que fez"...


O que levaria um Governo, nariz empinado, ter a ousadia de convocar a inteligência nacional para definir um modelo de TV Digital (SBTVD - Sistema Brasileiro de TV Digital) que atendesse aos interesses sociais e econômicos do país para depois jogar todo este esforço pelo ralo sem mais (nem menos). Não fosse o levante de vários setores da sociedade, Lula já teria anunciado há muito tempo à escolha integral de padrões internacionais para a TV Digital brasileira em detrimento de um modelo híbrido, o único, que contemplaria os interesses da nação. A vantagem econômica do modelo brasileiro vai desde a independência de um padrão e seus royalties associados à possibilidade de um modelo exportável de TV Digital interativa capaz de interessar grandes mercados emergentes, com condição geográfico-social semelhante ao do Brasil. O tecnológico estaria na valorização da competência nacional, dando-lhe chance de se consolidar, por exemplo, no campo do software (midlleware e aplicativos) e o cultural no estímulo à produção de conteúdo pela criação de um mercado próprio. O SBTVD, ao contrário do SIVAM (decidido à revelia da inteligência nacional), é um sucesso de planejamento e implementação que seduziu a academia de norte a sul do País (foram envolvidos mais de 1.500 pesquisadores e 80 instituições de P&D que elaboraram uma solução para o padrão TV Digital brasileira). O advento da TV digital é o que se chama de uma janela de oportunidade. Na lógica da sociedade do conhecimento, tão ou mais importante que o produto é a competência tecnológica que se adquire ao desenvolvê-lo. Podemos aqui repetir histórias de sucesso ou repetir erros crassos do passado, como quando sob altas pressões, baixos golpes e pesados lobbies internacionais adquirimos o SIVAM que nossos técnicos e cientistas poderiam ter desenvolvido. Que pressões e lobbies, todavia mais surdos, agora nos acometem? Resta saber quais interesses impediram o Governo de promover um amplo debate na sociedade, em assunto que diz tão de perto à vida de tantos? Que pressa o açoda, quando nenhum fato novo nos pressiona?...Para não terminar sem uma bravata presidencial, além de criticar governos anteriores, Lula decidiu e assinou contrato padrão japonês e, ressaltou vantagem que a TV digital poderá trazer aos usuários. "Não está longe o dia em que as famílias poderão marcar uma consulta médica pelo SUS pela TV". É, não custa esperar e acessar da poltrona nossos “bons” serviços públicos básicos, embora a estimativa é que a implementação da TV digital no Brasil demore dez anos.

Imagem: tvsnob

5.6.07

Arte digital: o fim da arte?


A arte palpável, sensível ao toque, que começou um dia a ser riscada nas paredes das cavernas e que se consolidou através dos séculos que nos precederam, parecia estar chegando ao fim. Tínhamos que nos adaptar a uma nova arte volátil, efêmera, exposta em um pedaço de vidro, que só existia no estado de ligado-desligado. Que porrada! Essa nova literatura visual, esse novo código, onde forma e conteúdo se confundem amalgamados em uma carpintaria puramente eletrônica está mais para o surfista que sabe conviver com o caos da onda do que para o executivo que não consegue sobreviver com as velhas regras do edge of chaos. Na medida em que o artista assimilar e dominar o novo environment e as suas novas ferramentas criadoras, certamente essa arte passará a ser imaginativa, criadora, poderosa, como o foi a de Michelangelo ou a de Van Gogh. As experiências em realidade virtual estão apenas engatinhando, aos poucos não só permitirão recriar o passado como também criar um imaginário mundo novo. Se a nova arte digital deve ou não ser aceita como arte, se ela é legítima ou não, por enquanto todas as discussões sobre o assunto estão passando muito distante.

Fonte: Ouattro/Alex Nabuco. Imagens. Século Prodigioso

7.5.07

"Fotos de família, quem não as tem?"


Encomenda

Desejo uma fotografia

Como esta – o senhor vê – como esta:
Em que para sempre me ria
Com um vestido de eterna festa.

Como tenho a testa sombria,
Derrame luz na minha testa.
Deixe esta ruga que me empresta
Um certo ar de sabedoria.

Não meta fundos de floresta
Nem de arbitrária fantasia...
Não... nesse espaço que ainda resta
Ponha uma cadeira vazia.

Poema: Meireles, C., “Vaga música”, em Obra poética. RJ: Aguilar, 1967
FRESSATO,Sol.A Fonte - revista de arte, Curitiba, out., 2004.

21.4.07

A crise da arte contemportânea



"Quando a gente entra, dá para entender porque é gratuito!" (A crise da arte contemportânea definida por um chofer de táxi diante do Tate Modern Museum em Londres).

"Não são os trabalhos conceituais que afastam o público das manifestações do gênero. É a maneira como estes trabalhos são usados para criar uma estratégia de decepção. Hoje, como não existe mais nada para contestar, creio que se pode dizer que, infelizmente, entramos na Era da Frustração, na qual, não apenas os artistas mas sobretudo os que detem o poder institucional, fazem exata e propositalmente o oposto daquilo que o público espera. Saindo de seus secretos e inatingíveis “conciliábulos de especialistas”, eles parecem dizer: “Você quer isto? Ah! Então não vai ter!”. Trata-se de algo que, além de perverso, é a expressão máxima da coqueteria, coisa da ordem de uma sedução barata. O que, paradoxalmente, não pode ser mais destrutivo e incorreto. Se não, em meio a tantas “denúncias”, que saídas apontam as obras que enchem as Bienais?" Sheila Leirner, jornalista, crítica de arte e curadora, autora do blog "Como,Onde e Como", em entrevista a Revista Valor Econômico.

"É preciso tirar a arte do gueto em que a instalaram, como se fosse um produto totalmente solto no tempo e no espaço, e convocar para a análise de obras e autores, de maneira sistêmica, alguns instrumentos críticos das ciências humanas e sociais, contrariando, assim, a estranha afirmação do maior crítico norte-americano do século passado — Clement Greenberg, que a lingüística não tem nenhuma contribuição a dar à crítica de arte. A antropologia, a sociologia, a psicanálise, a semiologia e o estudo da economia e do marketing, entre outras disciplinas, têm muito a esclarecer sobre o imbroglio em que a arte se meteu. Repito: é preciso tirar a questão da arte do gueto em que a instalaram, onde certos curadores, leiloeiros, marchands e galeristas decidem o que antes estava na alçada de críticos, ensaístas, historiadores, professores colecionadores que não encaravam a arte como pura commodity".


Affonso Romano de Sant´Anna, escritor, poeta, ensaista, em Desconstruindo Duchamp

26.3.07

Retratos da Infância

Retrato de Dom João IV, infante, Duque de Bragança, Pedro Américo, 1879
Óleo sobre tela Coleção MNBA, Rio de Janeiro

O retrato do Infante D. João IV, Duque de Bragança, de Pedro Américo é uma pintura histórica que mostra o lendário príncipe regente português, conforme a solenidade exigida pelos retratos oficiais. Na Idade Média, por exemplo, imagens de crianças não apareciam em pinturas e esculturas, denotando a inexistência de um conceito específico para a infância nessa época. Entre as profundas transformações legadas pelo Renascimento, encontramos o reconhecimento da infância como fase específica do desenvolvimento humano. A partir de então, esta categoria ganhou território na história da arte ocidental, transformando-se em motivo de retratos religiosos e leigos, cenas de gênero e, por vezes, em protagonista dessa história. No final do século XIX, poetas e artistas passaram a ver a infância como paradigma do ato criativo. Não estavam mais interessados na reprodução do mundo infantil, mas em retornar, de certa forma, à percepção primeira, sem preconceitos, atribuída às crianças. Para alguns dos mais importantes artistas do século XX, como Klee, Kandinsky, Miró e Calder, o impulso lúdico - ou impulso para o jogo - não era apenas característico da infância. Seguindo as reflexões do poeta e filósofo romântico alemão Friedrich Schiller, esse impulso também seria jogo estético e, portanto, artístico; seria atributo do homem e, mais do que isso, o definiria enquanto ser livre e espiritual. Para boa parte dos artistas modernos, portanto, a arte tornou-se sinônimo de espaço lúdico, compartilhando com o universo infantil o território da livre expressão.

Fonte