21.4.07

A crise da arte contemportânea



"Quando a gente entra, dá para entender porque é gratuito!" (A crise da arte contemportânea definida por um chofer de táxi diante do Tate Modern Museum em Londres).

"Não são os trabalhos conceituais que afastam o público das manifestações do gênero. É a maneira como estes trabalhos são usados para criar uma estratégia de decepção. Hoje, como não existe mais nada para contestar, creio que se pode dizer que, infelizmente, entramos na Era da Frustração, na qual, não apenas os artistas mas sobretudo os que detem o poder institucional, fazem exata e propositalmente o oposto daquilo que o público espera. Saindo de seus secretos e inatingíveis “conciliábulos de especialistas”, eles parecem dizer: “Você quer isto? Ah! Então não vai ter!”. Trata-se de algo que, além de perverso, é a expressão máxima da coqueteria, coisa da ordem de uma sedução barata. O que, paradoxalmente, não pode ser mais destrutivo e incorreto. Se não, em meio a tantas “denúncias”, que saídas apontam as obras que enchem as Bienais?" Sheila Leirner, jornalista, crítica de arte e curadora, autora do blog "Como,Onde e Como", em entrevista a Revista Valor Econômico.

"É preciso tirar a arte do gueto em que a instalaram, como se fosse um produto totalmente solto no tempo e no espaço, e convocar para a análise de obras e autores, de maneira sistêmica, alguns instrumentos críticos das ciências humanas e sociais, contrariando, assim, a estranha afirmação do maior crítico norte-americano do século passado — Clement Greenberg, que a lingüística não tem nenhuma contribuição a dar à crítica de arte. A antropologia, a sociologia, a psicanálise, a semiologia e o estudo da economia e do marketing, entre outras disciplinas, têm muito a esclarecer sobre o imbroglio em que a arte se meteu. Repito: é preciso tirar a questão da arte do gueto em que a instalaram, onde certos curadores, leiloeiros, marchands e galeristas decidem o que antes estava na alçada de críticos, ensaístas, historiadores, professores colecionadores que não encaravam a arte como pura commodity".


Affonso Romano de Sant´Anna, escritor, poeta, ensaista, em Desconstruindo Duchamp

26.3.07

Retratos da Infância

Retrato de Dom João IV, infante, Duque de Bragança, Pedro Américo, 1879
Óleo sobre tela Coleção MNBA, Rio de Janeiro

O retrato do Infante D. João IV, Duque de Bragança, de Pedro Américo é uma pintura histórica que mostra o lendário príncipe regente português, conforme a solenidade exigida pelos retratos oficiais. Na Idade Média, por exemplo, imagens de crianças não apareciam em pinturas e esculturas, denotando a inexistência de um conceito específico para a infância nessa época. Entre as profundas transformações legadas pelo Renascimento, encontramos o reconhecimento da infância como fase específica do desenvolvimento humano. A partir de então, esta categoria ganhou território na história da arte ocidental, transformando-se em motivo de retratos religiosos e leigos, cenas de gênero e, por vezes, em protagonista dessa história. No final do século XIX, poetas e artistas passaram a ver a infância como paradigma do ato criativo. Não estavam mais interessados na reprodução do mundo infantil, mas em retornar, de certa forma, à percepção primeira, sem preconceitos, atribuída às crianças. Para alguns dos mais importantes artistas do século XX, como Klee, Kandinsky, Miró e Calder, o impulso lúdico - ou impulso para o jogo - não era apenas característico da infância. Seguindo as reflexões do poeta e filósofo romântico alemão Friedrich Schiller, esse impulso também seria jogo estético e, portanto, artístico; seria atributo do homem e, mais do que isso, o definiria enquanto ser livre e espiritual. Para boa parte dos artistas modernos, portanto, a arte tornou-se sinônimo de espaço lúdico, compartilhando com o universo infantil o território da livre expressão.

Fonte

22.2.07

Robert Doisneau, o fotógrafo das ruas

Le Meute, 1969

Coleção completa AQUI

Originalmente formado em litografia, Robert Doisneau abraçou em 1929 um novo interesse como fotógrafo autodidacta. Via a fotografia como o meio ideal de registar a vida durante os seus passeios por Paris. A sua carreira como fotógrafo começou em 1934 na fábrica da Renault em Billancourt, onde esteve empregado como fotógrafo industrial e de publicidade. Ainda em 19369, decidiu tornar-se fotojornalista independente, mas a guerra forçou-o a desistir do sonho de vir a trabalhar por conta própria. Serviu o exército francês em 1940 e daí até ao fim da guerra trabalhou para a Resistência. Mas mesmo assim não desistiu de trabalhar como fotógrafo, fazendo postais para ganhar a vida. Em 1949, Doisneau assinou contrato com a revista Vogue, para a qual trabalhou como fotógrafo a tempo inteiro até 1952 e, desde então, como independente. Mas não entrou para os anais da fotografia como fotógrafo de moda. O que o tornou famoso foi a "fotografia de rua". Em inúmeros instantâneos, documentou com humor e empatia a vida nos subúrbios de Paris. A sua fotografia mais famosa é "Beijo em frente ao Palácio da Câmara Municipal", que se tornou um ícone do amor jovem e violento numa grande cidade. Robert Doisneau nasceu em Gentilly, perto de Paris, em 1912 e morreu em Paris em 1994.

Fonte:
JG, autor do Blog da Sabedoria e do O Século Prodigioso

27.1.07

Arte digital


Obra de Ray Caeser. A técnica do desenho consiste em criar uma estrutura tridimensional com software de modelagem e sobrepondo na superficie com fotografias, pinturas e texturas manipuladas por meios digitais. O resultado é uma imagem realista e expressiva. Gallery

30.11.06

Arte pública, na mesa...


A pintura grega encontra-se na arte cerâmica. Os vasos gregos são também conhecidos não só pelo equilíbrio de sua forma, mas também pela harmonia entre o desenho, as cores e o espaço utilizado para a ornamentação. Além de servir para rituais religiosos, esses vasos eram usados para armazenar, entre outras coisas, água, vinho, azeite e mantimentos. Por isso, a sua forma correspondia à função para que eram destinados. As pinturas dos vasos representavam pessoas em suas atividades diárias e cenas da mitologia grega. Enquanto a arte egípcia é uma arte ligada ao espírito, a arte grega liga-se à inteligência, pois os seus reis não eram deuses, mas seres inteligentes e justos que se dedicavam ao bem-estar do povo. A arte grega volta-se para o gozo da vida presente e na constante busca da perfeição, o artista grego cria uma arte de elaboração intelectual em que predominam o ritmo, o equilíbrio, a harmonia ideal. Eles tem como características: o racionalismo; amor pela beleza; interesse pelo homem, que é “a medida de todas as coisas”; e a democracia.

Sobre Arte Grega
Ex-curadora de museu dos EUA é acusada de roubar peça grega

2.11.06

6.10.06

No tempo do folhetim



Folhetim é uma obra romanesca na qual sobressai a intriga, por vezes recambolesca, editada em episódios sucessivos no jornal ou na rádio. Originalmente, o folhetim era um artigo ou crónica sobre literatura, ciência, crítica, publicado na parte inferior e a toda a largura dum jornal. Foi no início do século XIX que surgiu o folhetim. Todos os jornais quiseram, então, ter o seu folhetim. Tornou-se comum o romance-folhetim, tornado célebre pelo espírito ou invenção de Eugéne Sue, Alexandre Dumas e seus seguidores. O romance-folhetim divertia e prendia o leitor, desempenhando, assim, um grande papel, sobretudo na imprensa popular.